Porque é que o último horário vence
O que a luz baixa faz a uma cidade feita de vidro
Uma face iluminada e outra à sombra em cada torre. É toda a diferença.
Nova Iorque é construída com superfícies refletoras, e as superfícies refletoras precisam de um ângulo. Com o sol a pino, as faces poente e nascente de cada torre ficam igualmente iluminadas, tudo fica no mesmo cinzento uniforme, e a névoa que paira sobre o porto em qualquer dia quente não tem nada que a atravesse. É por isso que as fotografias de Manhattan a partir do ar ao meio-dia parecem documentação e não imagens.
Na última hora, o sol entra quase na horizontal, vindo de oeste. Cada torre ganha uma face iluminada e outra à sombra, e é isso que lhes dá profundidade. As sombras correm para leste ao longo da grelha, de modo que as ruas se leem como linhas. A água passa de cinzento a bronze. E nos últimos quinze minutos os pisos dos escritórios começam a acender-se, pelo que termina o voo com uma cidade metade à luz do dia e metade iluminada por dentro.
É o mesmo voo ao mesmo preço. É esta a parte que vale a pena repetir. Não está a comprar um upgrade, está a escolher um horário. O único custo é que esses horários esgotam primeiro, por isso reserve com mais antecedência do que reservaria para um voo de manhã.